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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

AVANÇO DO MAR É UM ALERTA NACIONAL.

Notícias OUL - O avanço do mar é um fenômeno registrado no litoral dos 17 Estados brasileiros banhados pelo oceano Atlântico. Levantamentos recentes apontam que, além de avançar em uma velocidade acima do normal em alguns locais, o mar também está recuando em parte significativa do litoral, o que vem mudando o mapa litorâneo. Especialistas preveem alterações ainda mais significativas nos próximos anos

Veja a situação em cada Estado, a fonte é o "Estudo Erosão e Programação do Litoral Brasileiro", do Ministério do Meio Ambiente


Alagoas
A costa do Estado de Alagoas caracteriza-se por grande desenvolvimento de estuários e manguezais, plataforma continental estreita, coberta por sedimentos carbonáticos e com grande desenvolvimento de recifes. Tal configuração, aliada ao fraco fornecimento de sedimentos pelos rios, confere a esta costa uma alta vulnerabilidade.

A presença de falésias vivas e de rochas mesozóicas da Bacia Alagoas, somadas à quase ausência de planícies e as ocupações do homem ao litoral, são responsáveis pelos graves problemas ambientais relacionados à erosão marinha que atinge as praias do Estado. A erosão marinha é mais evidenciada nos setores norte e central, sendo estes os mais ocupados e urbanizados do litoral alagoano.

Amapá
Alguns trechos com significantes reentrâncias são resultantes de processo erosivo. Em comparação ao estudo das zonas costeiras dos setores nordeste, central e sul do Brasil, os estudos são bastante recentes e localizados, em função também das dificuldades de acesso e devem nos próximos anos trazer novos cenários.

Bahia
Tem 26% do litoral em erosão, 6% em progradação e 8% estabilizado por obras de engenharia. Os números mostram que a maior parte da linha de costa encontra-se em equilíbrio. Os principais casos de erosão estão associados à dinâmica de desembocaduras fluviais (migração lateral no caso de pequenos cursos d?água, mudanças na configuração das barras de desembocadura e variações naturais da vazão sólida e líquida). Outros casos de erosão severa estão associados à retenção de areia por instalações portuárias (Ilhéus) e em cabos inconsolidados (Caravelas). Os casos mais significativos de progradação foram verificados nas desembocaduras dos rios Jequitinhonha e Contas.

Ceará
O Estado do Ceará apresenta uma linha de costa de 573 km que vem sofrendo extensivos processos erosivos. A implantação de equipamentos tais como áreas portuárias e desenvolvimento urbano foram avaliados. As variações sazonais de direção do vento, ondas, a configuração de marés altas em swells, o barramento de corredores eólicos, e ocupação inadequada são as principais causas dos processos erosivos.

Espírito Santo
O levantamento aponta que há continuidade dos processos erosivos sobre a modelagem do litoral. A tendência tem sido agravada pela intensa urbanização. O uso urbano inapropriado é também responsável por eventos erosivos nos setores onde a linha de costa apresenta-se bastante recortada e com tendência natural a estabilidade. Tendências progradacionais são evidenciadas nas planícies costeiras próximas as principais desembocaduras fluviais como do rio Doce e rio Itabapoana, no limite com o Rio de Janeiro.


Maranhão
Em comparação aos estudos das zonas costeiras dos setores nordeste, central e sul do Brasil, os estudos são bastante recentes, e localizados, em função também das dificuldades de acesso e devem nos próximos anos trazer novos cenários.

Pará
A erosão praial é um dos fenômenos mais impressionantes entre os processos costeiros, que acabou transformando-se em um problema emergencial. Estudos mostram que maisde 70% das costas arenosas têm exibido uma tendência erosiva nas últimas décadas, menos de 10% apresentam progradação entre 20 e 30% e mostram-se estáveis. Trabalhos descritivos de erosão na zona costeira paraense são escassos: as primeiras investigações sobre este tema se iniciaram no ano de 2000.

Esta tendência à erosão das praias arenosas, nos dias de hoje, têm sido discutidas por numerosos autores, e a maioria deles admite um aumento do nível do mar relativo, como causa mais importante.

Paraíba
Situação alarmante, com quase 50% da costa ameaçada pela erosão. Este número decorre do fato deste trecho de linha de costa estar situado em um setor da costa brasileira caracterizado por um tendência de longo prazo para a erosão costeira. Esta tendência tem sido exacerbada por padrões inadequados de ocupação dalinha de costa. Cerca de 42% experimentam recuo da linha de costa, 33% experimentam progradacão e apenas 21% encontram-se em equilíbrio. Outros 4% estão estabilizados por obras de engenharia.

A zona costeira, de 140 km, é composta por 13 municípios onde vivem aproximadamente um milhão de pessoas. A erosão costeira têm constituído um grave problema no Estado da Paraíba, resultando em perda de propriedades e no investimento de recursos significativos para a construção de obras de proteção.

Paraná
No Paraná os problemas costeiros são decorrentes principalmente de uma ocupação inadequada, muito próxima da linha de costa. Além da destruição das dunas frontais que funcionam como estoque de areia para a praia, não foi deixado espaço suficiente para que se processem os ciclos naturais de progradação/retrogradação. Em alguns casos, a ocupação se deu invadindo a própria praia, e alterando o equilíbrio do sistema praial.

Pernambuco
No litoral de Pernambuco, a erosão marinha é um problema verificado em aproximadamente 1/3 das praias. Os fatores que contribuem decisivamente para este processo são vários. Em algumas praias é produto direto das intervenções do homem, seja por ocupação das áreas adjacentes a praia (impermeabilização dos cordões marinhos arenosos holocênicos) e até das pós-praia, como é o caso particular da praia de Boa Viagem (zona metropolitana do Recife) e do litoral de Olinda e de Paulista; seja pela construção de estruturas rígidas artificiais de proteção contra o processo erosivo, muitas vezes implantadas sem conhecimento técnico.

Piauí
O Estado foi o único que não teve o litoral pesquisado pelo Ministério do Meio Ambiente no estudo.

Rio de Janeiro
O litoral do Rio de Janeiro se divide em três grandes compartimentos. No segmento oriental, que se estende do limite com o Espírito Santo ao Cabo Frio é amplamente dominado pela orla da planície geral, de fragilidade da linha de costa. Na margem direita da desembocadura do rio Paraíba do Sul apresenta em pequeno trecho o mais intenso fenômeno erosivo de todo o litoral do Estado, seguido, logo ao Sul, por um trecho com tendência de progradação. Ao Norte da desembocadura, até o rio Itabapoana, um embaiamento parcialmente protegido pelo litoral protuberante do Espírito Santo apresenta fenômenos erosivos localizados especialmente em pequeno trecho de falésias sedimentares ativas.

Do Cabo Frio à Ilha da Marambaia, a ação de fortes ondas e de tempestade com ocasionais eventos erosivos é significativa. O terceiro setor é caracterizado pela planície costeira da baía de Sepetiba protegida das ondas de tempestade pela restinga da Marambaia e pelo predomínio de costões rochosos e planícies costeiras de pequena expressão da baía da Ilha Grande, parcialmente protegido pela Ilha Grande, apresentando fenômenos erosivos localizados e de pequena amplitude.

Rio Grande do Norte
Registros atuais de erosão costeira estão presentes em muitos trechos do litoral norte-rio-grandense, com origem atribuída principalmente ao reduzido aporte fluvial de sedimentos, decorrentes das pequenas dimensões das bacias fluviais regionais, e a perda de sedimentos para o continente, com a formação dos campos dunares. A deriva litorânea, também tem um papel importante na distribuição de sedimentos ao longo dessa faixa costeira.

Rio Grande do Sul
A maior parte da costa gaúcha está submetida a processos erosivos com taxas que excedem a 100m em 22 anos. Estas áreas estendem-se por aproximadamente 378 km. As zonas costeiras ao sul do molhe da barra da Lagoa dos Patos e ao norte do arroio Chuí apresentam um balanço entre as taxas de suprimento e de remoção de sedimentos para o período de 22 anos, com variações da linha de praia inferiores a 20m. As tendências de evolução da linha de costa, estabelecidas pelos extremos erosivos e deposicionais, resultam da complexa interação entre as taxas de variações relativas do nível do mar, as taxas de suprimento sedimentar, a dinâmica das ondas e os impactos produzidos por ondas de tempestades. Estudos sobre as taxas de variações do nível do mar para esta região indicam elevações da ordem de +0,62 mm/ano, como estabelecido a partir dos dados do marégrafo de Punta del Este - República do Uruguai, entre os anos de 1901 e 1992.


Santa Catarina
Pode-se constatar evidências erosivas na maioria das praias estudadas, evidências estas, associadas a processos naturais da dinâmica praia, geradas pelos agentes naturais transformadores da morfologia praial, como ondas, correntes, marés e ventos. Estes processos além de diminuírem a faixa de areia da praia e o consequente recuo da linha de costa, comprometem as ocupações próximas ao ambiente praial, pois favorecem o avanço do mar propiciando o alcance de ação das ondas em episódios tempestivos.
A intensificação dos processos erosivos está intimamente relacionada com as ocupações indiscriminadas que se instalam junto à praia. Nas praias com pouca ocupação urbana, após os processos erosivos, constatou-se a recuperação do perfil praial com ganho sedimentar. Nas praias com densa ocupação urbana junto ao ambiente praial, a duna frontal foi descaracterizada, impedindo consequentemente a troca de sedimentos. Nestas, os processos erosivos foram intensificados pela ação antrópica ocorrendo o recuo da linha de costa, como foi observado nas praias de Armação, Barra da Lagoa, Canasvieiras e Ingleses.

São Paulo
O litoral do Estado de São Paulo apresenta aproximadamente 400 Km de extensão, sendo em grande parte constituído por praias arenosas. Ao contrário de muitos estados brasileiros, não são observados segmentos contínuos submetidos a processos generalizados de erosão ou progradação. O que existe são segmentos restritos de linha de costa, submetidos a processos erosivos ou acrescionais, sendo estes, em geral relacionados com a existência de obstáculos naturais ou construídos, que alteram a dinâmica sedimentar original. Tanto os obstáculos naturais como os construídos modificam a interação da posição geográfica da linha de costa com o trem de ondas.

Sergipe

Em comparação com outros estados do Nordeste, a erosão costeira não é um problema particularmente grave. Especial atenção deve ser dada pelos planejadores na ocupação dos trechos classificados como de "Elevada Variabilidade", associados às desembocaduras dos rios Real, Vaza Barris e Sergipe, onde episódios erosivos localizados já causaram significativas perdas materiais.

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